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Noticia de: 28 de Setembro de 2017 - 12:31
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História - Da água de poço à era da rede de esgoto sanitário

Três senhoras que moram há mais de 50 anos na Vila Progresso falam das dificuldades enfrentadas quando da formação do bairro e da alegria da chegada do saneamento básico

Jota Menon


Lourdes Cardoso Pereira, Auta Corrêa Ferreira e Aparecida de Oliveira Saravy têm muito mais em comum do que simplesmente morarem no mesmo bairro, vizinhas uma das outras, há mais de 50 anos.


Elas têm em comum, ainda, a idade. Cada uma delas tem 77 anos e viveram a maior parte da vida na Vila Progresso enfrentando as agruras da época em que o bairro foi lançado sem nenhuma infraestrutura.

Lourdes mora na Rua Oclécio Barbosa Martins, 536, há mais de meio século. Auta Corrêa Ferreira, habita, há 56 anos, o mesmo endereço, na Rua São Miguel, 907, enquanto Aparecida de Oliveira Saravy, reside há exatos 60 anos na Rua Oclécio Barbosa Martins, 809.

Há várias outras coincidências entre as três senhorinhas da Vila Progresso como o fato de terem visto seus filhos nascerem, crescerem e formarem famílias na vila que por muitos anos ficou com a fama abalada pela existência de inúmeras casas da zona do baixo meretrício que foi transferida para a região quando da implantação do bairro.

Mas, se enfrentaram as dificuldades dos anos iniciais da vila, hoje, aposentadas, elas desfrutam a condição de moradoras de um dos bairros que mais se valorizaram com o passar dos anos, graças às obras de infraestrutura que foram sendo executadas ao longo de décadas.

E, dentre as melhorias mais aplaudidas por dona Lourdes, dona Auta e dona Cida estão as obras de saneamento básico, primeiro a água tratada, depois a rede coletora de esgotos residenciais.

Elas se lembram que, quando chegaram “na vila”, o arruamento era precário e o abastecimento de água era feito à base do poço. Rede de esgotos, nem pensar. “Era um sacrifício danado. A água era tirada do poço no balde, à base do sarilho, e nos dias de lavar roupas o cansaço era enorme” conta dona Cida que ficou viúva ainda moça e criou três dos quatro filhos sozinha. O marido dela faleceu em um acidente automobilístico em que também o filho mais velho perdeu a vida.

Do mesmo modo pensa dona Lourdes que criou os três filhos no mesmo endereço. “Era tudo muito difícil. A água encanada só chegava até a região do Cemitério Santo Antônio e nós tínhamos que usar água de poço” conta.

Para ter o benefício da água tratada, o nosso trio de senhorinhas quase octogenárias contou, inicialmente, com os serviços da Sanemat – Empresa de Saneamento de Mato Grosso -, ainda no Estado indiviso, depois, com o advento da divisão, da Sanesul – Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul.

Mas foi só com a privatização dos serviços hídricos de Campo Grande que elas puderam contar com o bem mais precioso para o conforto e para a saúde do ser humano que é o esgotamento sanitário.

Foi a Águas Guariroba quem iniciou o processo de democratização do esgoto sanitário em Campo Grande que caminha para ter, em breve, praticamente 100% de cobertura nessa área.

Dona Auta que, como as duas demais personagens, vive numa casa construída num quintal de 504 metros quadrados (12 metros de frente por 42 de fundos) sintetiza bem a importância do esgoto residencial. “Até a Águas Guariroba vir aqui e fazer o esgoto nós furamos pelo menos meia dúzia de fossas nos fundos da casa. Nos últimos anos, tinha tanto buraco de fossa que tivemos de abrir a última na frente da casa” diz.

A moradora conta que, com a chegada do esgoto, acabou o martírio de ter de chamar empresas especializadas para o esgotamento das fossas sépticas e, o que é melhor, segundo ela “acabou com a fedentina que exalava desse monte de fossas que perfuramos no quintal”.


Dona Lourdes é outra que aprova 100% a chegada do esgoto. “Tem gente que reclama da taxa, mas é outra realidade. Cansamos, eu meus filhos, de ter de aguentar o fedor que exalava das fossas toda vez que enchia ou estourava o encanamento. Com a chegada do esgoto acabou tudo isso e é um benefício muito grande até mesmo para a saúde, agora, dos netos e bisnetos” relata.

Na mesma direção vai dona Cida que foi a primeira das três a fincar raízes na Vila Progresso. “A chegada do esgoto foi a maior bênção que Deus mandou pra gente. Hoje estamos criando os netos e os bisnetos com conforto, higiene e segurança, coisa que nossas crianças não tiveram. Só temos a agradecer a empresa concessionária, a Águas Guariroba, por esse trabalho de levar o esgotamento sanitário para toda Campo Grande” enfatiza.

 

O QUE DIZ O ESPECIALISTA – Para o médico sanitarista Joaquim Dias da Mota Longo, o saneamento é um dos bens mais importantes que o estado pode oferecer à população, pois, se trata de fator essencial para a saúde, o bem-estar e o desenvolvimento econômico e social de um país.

Professor Dr. em Medicina Preventiva pela USP (Universidade de São Paulo), Joaquim da Mota Longo diz que oferecimento de água tratada à população e a prestação de serviços de coleta e tratamento dos esgotos são ações que levam à melhoria da qualidade de vidas das pessoas, sobretudo na saúde infantil com redução da mortalidade infantil.

Atualmente coordenador de duas residências médicas, sendo uma em Homeopatia e a segunda em Medicina da Família e titular das cadeiras de Estágio em Saúde da Comunidade I e Introdução à Homeopatia, do Curso Medicina na UFMS, Longo destaca ainda que os investimentos em saneamento básico contribuem com a preservação do meio ambiente, fomenta o turismo e valorizam os imóveis urbanos.

Português de nascimento e residente há mais de 40 anos no Brasil, Longo elencou diversas doenças que são combatidas a partir de investimentos no saneamento básico, entre as quais, destacou a diarreia que mata milhares de crianças anualmente em todo o mundo.

Porém, podem ser citadas, também, outras tantas doenças fomentadas pela falta de esgotamento sanitário como esquistossomose, febre amarela, febre paratifoide, amebíase, ancilostomíase, ascaridíase, cisticercose, cólera, dengue, disenterias, elefantíase, malária, poliomielite, teníase e tricuríase, febre tifóide, giardíase, hepatite, infecções na pele e nos olhos e leptospirose. “Esgotamento sanitário é o investimento em saúde pública mais importante de um país” sintetiza o médico finalizando.

Jota Menon

 


A moradora Auta Corrêa Ferreira aponta os vários pontos onde foram abertas fossas sépticas em seu quintal

 


Dona Cida está há 60 anos no mesmo endereço e aplaude política da Águas Guariroba

 

Dona Lourdes enfrentou as agruras da inexistência de saneamento e hoje vive o conforto trazido pela água tratada e o esgotamento sanitário

 


O médico sanitarista Joaquim Dias da Mota Longo

 

CRÉDITO DAS FOTOS
Foto: Paulo Guenka

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