Policial

Pedreiro 'serial killer' de MS é condenado em 2º júri e penas somam 33 anos de prisão

Ele ainda contou que chegou a pensar que se a vítima acordasse, poderia ligar para a polícia, por isso decidiu jogar o corpo no poço



Cleber durante depoimento em plenário - (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)




Nesta quarta-feira (16), Cleber de Souza Carvalho, 45 anos, foi condenado a 18 anos de prisão pelo homicídio e ocultação de cadáver de Timótio Pontes Roman, de 62 anos. O crime aconteceu em maio de 2020, na casa da vítima, e a motivação seria uma dívida. Acusado de 7 homicídios, essa é a segunda condenação do 'serial killer', que já soma 33 anos de prisão.

O Conselho de Sentença decidiu pela condenação de Cleber, pelos dois crimes que foi denunciado. Pelo homicídio qualificado por motivo fútil ele foi condenado a 16 anos e 6 meses e pela ocultação de cadáver, 1 ano, 6 meses e 30 dias-multa, totalizando os 18 anos de prisão. A sentença é assinada pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri.

Durante o debate, a defesa chegou a alegar insanidade de Cleber, o que foi rebatido pela acusação, já que não foi apresentado laudo médico. No entanto, os advogados relataram que o que aconteceu com o pedreiro foi um momento de insanidade quando cometeu o crime, já que estaria desestabilizado por conta da dívida com o agiota.

Em depoimento, Cleber disse que matou Timótio por causa da dívida com um agiota que já estava em R$ 18 mil. Ele contou que no dia do crime os dois passaram a discutir, já que ele estava cobrando Timótio do dinheiro para pagar ao agiota, e que só matou o amigo com quem costumava tomar cerveja depois que ele teria dito a frase: “quem mandou me emprestar dinheiro?”.

Após isso, Cleber relatou que pegou o idoso pelo pescoço e o jogou dentro do poço. Ele também falou que deu golpes com o cabo de uma picareta em Timótio e depois colocou a tampa em cima do poço, que ainda ficou entreaberto. Depois, trancou as portas da casa e foi embora.

Uma das testemunhas do julgamento desta quarta contou que o serial killer já estava oferecendo a casa do idoso para um caseiro de uma chácara em que ele prestava serviço. Um dos policiais que prestou depoimento disse que Cleber estava fora de controle, que estava em ritmo acelerado de homicídios.

1º Júri
No dia 1º deste mês, Cleber sentou no banco dos réus pelo assassinato de Roberto Geraldo Clariano. Roberto foi assassinado em 2018, quando o pedreiro o contratou para um serviço no terreno na Avenida José Roberto Barbosa, no Recanto dos Pássaros. O serial killer foi condenado a 15 anos de prisão pelo assassinato.

Os dois teriam discutido e, com uma pancada na cabeça usando o cabo de uma picareta, Roberto foi assassinado. Apesar de ter afirmado que Roberto é a vítima, a confirmação da identificação da vítima será feita após os exames periciais.

Na época do desaparecimento, a namorada registrou um boletim de ocorrência. Ele disse que faria um frete. O Gol de ‘Cenoura’ foi localizado na frente da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida. O vizinho conta que o homem trabalhava como vendedor e com serviços gerais e costumava deixar as chaves da casa com ele para visitar os irmãos em Goiás.

Briga e morte de Timótio
Foi no início de 2020 que Cleber, que trabalhava como pedreiro, foi procurado por Timótio para fazer um serviço na calçada da frente, que estava esburacada. Ele cobraria R$ 50 e pediu para vítima comprar areia e cimento. Naquele dia 2 de maio, Cleber chegou à casa da vítima por volta das 6h30.

Na calçada ele não viu o material que usaria para a obra. Mesmo assim desceu as ferramentas e, segundo relato, deixou o carrinho com as ferramentas nos fundos da casa de Timótio, para que não ficasse na calçada e não fosse furtado. Depois, a vítima levou o pedreiro até um banheiro, também nos fundos da casa, para mostrar um vazamento.

Timótio teria pedido para que Cleber também realizasse aquele serviço. Em determinado momento, o réu começou a cobrar a vítima da dívida, que já havia se comprometido a pagar naquela semana. Os dois tiveram uma discussão e Cleber então alegou no interrogatório que ‘perdeu a cabeça’ neste momento.

“Começamos a discutir, perdi a cabeça e bati nele. Sou uma pessoa muito calma, sou trabalhador, mas nesse dia até cobrei mais barato, era só para ele me pagar”, disse. Segundo o réu, ele então pegou o cabo da picareta que estava com as ferramentas e golpeou Timótio. Os dois golpes acertaram a cabeça do idoso, que caiu.

“Vou terminar de matar logo”, disse Cleber ao ser questionado pelo juiz do motivo pelo qual jogou o corpo da vítima no poço. Ele ainda contou que chegou a pensar que se a vítima acordasse, poderia ligar para a polícia, por isso decidiu jogar o corpo no poço.