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Noticia de: 08 de Novembro de 2016 - 15:18
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Cadê Língua Portuguesa?

Editorial- Jota Menon

Reprodução Facebook


O Português é o idioma oficial do país e, desde a época do Brasil Colônia, é ensinado nas escolas públicas. Aliás, só se tornou Língua Oficial porque a Coroa Portuguesa se impôs em relação aos padres Jesuítas que tentaram por todos os meios que o Tupi-Guarani - como ocorreu no vizinho Paraguai, onde se fala o Espanhol e o Guarani - se consolidasse como idioma tupiniquim.

Passados todos esses séculos, o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM – aplicado para mais de oito milhões de jovens que sonham chegar a uma escola de ensino superior no último domingo trouxe em suas questões da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, equivalente a Língua Portuguesa e Literatura, 40 questões formadas por pequenos excertos literários que os pretensos futuros universitários tiveram de interpretar.

Além das 40 questões citadas, havia na prova mais cinco questões ligadas à disciplina de Língua Estrangeira (cinco em Inglês e cinco em Espanhol, todas também interpretativas, com o examinado optando por um ou outro idioma). 

E, aí, chamou a atenção de quem teve acesso às provas aplicadas pelo Ministério da Educação, através do INEP, o fato de que não havia uma questão sequer, dentre as 40 de “Língua Portuguesa”, que cobrasse dos pretensos futuros acadêmicos algum tipo de conhecimento sobre as normas cultas do idioma falado no país.

Para o Ministério da Educação, ao se ler a prova do último domingo, conhecimentos elementares sobre Gramática - conjunto de prescrições e regras que determinam o uso considerado correto da língua escrita e falada – deixaram de ter qualquer importância para o ensino público nacional, embora há que se reconhecer e admitir que um estudante que conclui o Ensino Médio sem ter profundo conhecimento sobre regras elementares da Norma Culta, não terá, jamais, capacidade para interpretar textos dos níveis apresentados no referido exame.

Quem não aprendeu na escola acentuação gráfica; classes de palavras; concordância verbal e nominal; uso correto da crase; estrutura e formação de palavras (morfologia); figuras de linguagem; fonologia; orações coordenadas e orações subordinadas; ortografia; regência, entre outras variantes da gramática, não terá nunca condições de analisar textos de Platão, Decartes, Adorno, Schopenhauer, Sócrates, Aristóteles, Shakespeare.

Para se ter uma ideia a que ponto chegou a formulação das questões do ENEM, um grupo de professores de Língua Portuguesa, da Escola Anglo, não conseguiu chegar a uma resposta em duas das questões interpretativas apresentadas na prova de domingo.

Agora, analise bem: se professores de Língua Portuguesa de cursinhos renomados, como o Anglo, não conseguem uma resposta para perguntas formuladas pelos “intelectuais do MEC”, imagine os analfabetos funcionais diplomados no Ensino Médio pelas escolas públicas brasileiras?

 

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